27 de mai de 2010

16

Quando acordou naquela manhã, resolveu dar um pulinho na padaria. O dia estava nublado, ameaçando aquela tempestade. Mas ela contou com a sorte e saiu sem guarda-chuva mesmo. Chegando lá, com a felicidade de quem tem a sorte a seu lado, comprou um litro de leite, quatro pães e um pão doce. Foi só começar seu caminho de volta que os pingos foram arrepiando seu corpo. Uma ventania alucinante atropelou seu caminho e ela começou a correr. E a chuva veio. Veio com a urgência de um beijo apaixonado, com o peso de um amor perdido. Faltava um bom pedaço a até a sua casa, quando ela parou. Fugia do quê? Já estava toda ensopada. Decidiu encarar seus medos como se fossem as gotas da chuva. E não só não corria mais, como sentia com prazer a água lavar seu corpo. O momento pedia uma dança, pedia uma canção. Ela não sabia dançar nem cantar, mas a rua estava deserta e se permitiu um certo balanço no caminhar ao som sussurrado de "Ai, ai, ai" da Vanessa da Mata.
Chegou em casa e foi terminar o banho no chuveiro, pesando uns quilos de pesares a menos.

* Baseado em fatos irreais
** To be continued

Um comentário:

PH! disse...

Tá aí uma cantora que você poderia fazer uma versão. Vanessa tem lindas músicas que ficariam lindas nas suas versões rock/mpb.

Sobre o livro, está cada capítulo melhor. Parabéns!