26 de mai de 2010

15

Em todas as épocas de sua vida ela amou demais. Estava sempre amando o outro. Mas estava na hora dela amar a si própria e esta tarefa lhe parecia impossível. Ela tentava, mas estava sempre incompleta. Buscou em tantos colos a sensação de conforto. Sempre soube que não era ali que seu vazio iria cessar. E da única vez que teve certeza, se enganou... Não sabia mais onde achar o que procurava. E tantas pessoas, e até mesmo a sabedoria popular, tentaram lhe dizer que o que ela procurava estava dentro dela o tempo todo. Mas ela procurou, olhou pra dentro, se revolveu e não achou.
Em alguns dias, era mais fácil suportar esse quebra-cabeça incompleto, em outros, ele tomava proporções monstruosas e ela congelava no tempo.
Isolava-se do mundo tentando se achar, ficava na dela se aquecendo de si mesma. E achava até bom, ser sua melhor companhia. Chorava e se consolava, falava besteira e ria, conversava em voz alta, diálogos imaginários, sobre coisas que gostaria de compartilhar.
Ela sempre tentava resgatar o que sobrava dela quando se dividia com alguém e esse alguém se ia. E a impressão era que sobrava cada vez menos. E ela se reerguia, se remendava, jurava nunca mais amar, mas ela amava demais.

* Baseado em fatos irreais
** To be continued

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