29 de ago de 2014

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Ansiedade. Difícil pra ela lidar com isso.
Quando era pequena, era até gostoso ser ansiosa. Aquele geladinho na barriga quando algo muito esperado estava pra acontecer, aquele arrepio na nuca nos segundos que antecediam o fato.
Com o passar dos anos, deixou de ser bom e começou a se transformar em algo mais difícil de se lidar. A falta de sono no dia anterior, o acordar de 10 em 10 minutos, horas antes do despertador tocar e os diálogos imaginários que nunca representavam a realidade eram como fantasmas durante a noite.  A sua necessidade de pensar todos os possíveis desfechos pra história fazia com que alguns dias ficassem impraticáveis.
E era comum a sensação de deseperdício de tempo, de desgaste mental pra situações que se resolviam em questão de segundos, como na vez que decidiu pedir demisão porque não estava se sentindo valorizada na empresa e tinha uma lista infinita de argumentos e respostas pra dar a seu chefe. Quando, suando frio nas palmas das mãos, sentou pra falar com ele, teve todo o seu apoio e ainda foi demitida pra que pudesse ter direito ao FGTS e ao seguro-desemprego.
Depois soube que o chefe também estava se sentindo assim, mas sabia que ia ser demitido em breve e não quis que empresa fizesse com ela o que iam fazer com ele.
Noites de sono perdidas e ela sem saber como reagir a uma atitude tão contrária a que ela estava esperando. Até a sensanção de felicidade por não estar mais vinculada àquela empresa soou como algo muito esquisito.
Pegou sua bolsa -pois foi liberada do aviso prévio, pegou o ônibus pra casa e sem querer conseguiu não pensar em nada por algumas horas. Extremamente, estranhamente, deliciosamente libertador.

* Baseado em fatos irreais
** To be continued

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