30 de mai de 2010

19

O medo era força presente em sua vida. Não que isso a impedisse de fazer qualquer coisa que fosse, mas ele estava lá. Quando o medo virava pânico, ela travava e não agia, mas uma força interior feroz começava um turbilhão dentro dela e ela vencia o pânico em algum momento e seguia sua vida.
Tinha medos que a maturidade lhe tirou, mas a idade lhe trouxe medos novos, como o da solidão e o do fracasso.
Sua história preferida era a da Chapeuzinho Amarelo (do Chico Buarque), que venceu seus medos e seguiu a vida feliz. Ela se considerava uma Chapeuzinho moderna, a cada medo que deixava pra trás.
Às vezes trazia à tona, medos antigos e infantis, como o medo do escuro. E se sentia boba por acreditar neles. Espíritos, extraterrestres, ratos, morcegos, assaltos... Medos que alimentava dentro de casa, nos momentos em que queria brincar de ser criança, em que queria acreditar na sua imaginação.
Mas, como diria Chico Buarque: “De todos os medos que tinha, o medo mais medonho era o medo do tal de Lobo”.
Seu Lobo se chamava Infelicidade.

* Baseado em fatos irreais
** To be continued

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